Desbravando o Brasil, o Rally dos Sertões completa neste ano 16 edições. A competição, considerada a maior da América Latina, não se compara às suas primeiras provas, no início da década de 90.
Em sua primeira edição, em 1992, o ponto de partida do Sertões foi na cidade paulista de Campos do Jordão, com destino ao Rio Grande do Norte, na capital Natal, totalizando 3.500 quilômetros. Somente 34 pilotos participaram da competição que apenas tinha uma modalidade, motos.
A cada ano, o trajeto da prova contava uma história da cultura brasileira, marcando cada cidade em que passavam os veículos. No primeiro ano, o caminho abordou uma parte da vida de Luiz Gonzaga, ao passar por sua cidade-natal, Exu (PE) e pela cidade de Asa Branca (PE), uma das maiores obras do cantor. Entre os temas escolhidos para ‘nomear’ o rali, foram escolhidos: o livro de Guimarães Rosa, Grande Sertão Veredas; a Coluna Prestes e Virgulino Ferreira, o Lampião.
Com o passar dos anos, o Rally dos Sertões cresceu e, em 1995, foi reconhecido pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM). A prova já era considerada um grande evento e já constava no calendário esportivo do país. O mesmo ano foi a estréia dos veículos 4x4. No ano seguinte, estrangeiros participaram da prova e ganhou notoriedade mundial. Não precisou de muito tempo para a competição ter a cara do que é nos dias de hoje. No ano 2000 foi adicionada a modalidade de caminhões e, em 2001, a duração do rali, que era de 14 dias, passou para 10.
O apoio da organização e da mídia fez com que o Rally dos Sertões não passasse apenas por uma competição esportiva off-road. O evento mesclou ações ecológicas com sociais, contribuindo para o desenvolvimento de um país ainda desconhecido pela maioria dos brasileiros.
Em 2008, o Rally dos Sertões passa a contar como uma das etapas do Mundial Cross-Country da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para carros e caminhões. A prova terá como ponto de partida a cidade de Goiânia (GO) e o destino é Natal (RN). São 4.734 quilômetros percorridos, que contam com surpresas para os pilotos e navegadores. Mais da metade da prova, 2.514 quilômetros, será de trechos especiais.
Para os competidores de primeira viagem, a inovação é o Sertões Experience. Pilotos e navegadores terão um trajeto especial durante os três primeiros dias do rali.
Na competição de caminhões, Edú Piano terá a árdua tarefa de defender o título contra Guido Salvini e André Azevedo, nomes de peso no off-road nacional. Maurício Neves e Clécio Maestrelli, atuais campeões da prova, querem manter o título dos carros, mas desta vez terão a companhia de pilotos estrangeiros de fábrica.
Nas motos, a batalha será emocionante entre Zé Hélio, vencedor do ano passado, Cyril Depres (campeão do Sertões em 2006), o espanhol Marc Coma (vencedor do Dakar em 2006), e David Casteu (campeão do Dakar em 2007). Já nos quadriciclos, o nome forte para esta edição é Robert Naji Nahas e Carlo Collet.