Estrantes no Rally dos Sertões, Armando Bispo e Vinícius Castro começaram com o pé direito. Com a certeza da participação da prova só em abril, piloto e navegador conquistaram a 17ª colocação geral entre os carros e o título da categoria Production. A estratégia da dupla ficou clara: chegar em Natal (RN) sem problemas e não ter preocupação com o resultado. E parece que a fórmula funcionou.
Bispo já participou do Sertões como integrante de uma equipe de apoio, para conhecer a competição. Em 2008, arriscou e chamou um navegador que também nunca tinha participado da prova. “Aprendemos juntos no processo, e crescemos juntos na prova. Valeu a pena a amizade, a humildade e a superação do Vinícius. Ele deu conta do recado”, declarou o piloto.
Sobre a prova, Armando não encarou sérios problemas. Após a etapa maratona, a equipe viu a necessidade de poupar o carro para largar sem complicações no dia seguinte. Na especial longa, o escapamento da Mitsubishi TR4 R soltou por conta de muitas pedras. “Ouvimos um barulho violento. Soltou completamente o suporte do escapamento e eu tive que parar por 15 minutos. Foi um desespero de principiante, de pensar que ficaríamos lá e não chegaríamos”, contou o piloto.
Para sair desta situação, Armando Bispo e seu navegador não pensaram duas vezes. Desceram do carro e resolveram com as próprias mãos: “ficamos exaustos, e fomos para trás do carro, ainda com o escapamento quente, tiramos com as mãos e os pés a parte danificada. Depois que tirei, que queimei os pés e as mãos, a parte que sobrou ainda estava fechada. O carro estava abafado, não dava pra andar com a boca do escapamento fechada. Desci de novo, peguei uma marreta e arrumamos”, disse o piloto, que seguiu a viagem, e contou também com uma falta de gasolina no final.
As dificuldades do rali ficaram marcadas para Bispo. O Riacho dos Buritis foi um grande desafio para a dupla por conta da quantidade de carros que ficaram presos por lá. “Vi muitos pilotos bons presos lá, até um dos Touaregs. Era um verdadeiro cemitério de carros atolados. Engatei a primeira, o navegador acertou e fiquei pelo lado melhor do pântano. Parecia que tinha uma mão empurrando nosso carro”, contou o piloto sobre um dos momentos de tensão da prova.
A última etapa, pelas praias do Rio Grande do Norte, Bispo conta que seu carro voou entre as dunas, o que o fez dar o nome da Mitsubishi de “TRcóptero”. “Vi muitos carros atolados e com problemas nas dunas, não tive outra idéia de que o carro realmente tinha voado!”, contou. O piloto ressaltou ainda que não ter problema algum nos pneus durante a prova inteira foi importante. "Terminei o rali com o mesmo pneu que larguei em Goiânia".
Com o título na Production, o campeão garante ainda estar extasiado. “Estou vivendo um sonho e está difícil cair a ficha, foi totalmente inesperado”, declarou. Bispo disse que simplesmente queria chegar em todas as etapas, mas que o Sertões é uma prova que tudo pode acontecer. “Ganhar em um rali como o Sertões é tudo o que um piloto pode querer”, disse o emocionado Armando Bispo.